quinta-feira, 15 de março de 2018

Kiyo em: “Meus pais me deixaram de cabelos brancos!”




Adendo inicial: Desde sempre – quando Kiyo volta da escola, temos uma conversa bem detalhada sobre como foi o dia. Ele faz o relatório completo sobre tudo que fez, oque comeu, oque brincou, oque aprendeu… Nada, absolutamente N.A.D.A passa batido.
No início dessa semana, no caminho de volta da escola, comecei a perguntar sobre o dia, oque ele aprendeu, que aulas teve… o de sempre.
“E na aula de ‘majors’ eu tive Artes”
“Oque você fez em Artes, Kiyo?”
“Ah, continuamos aquele projeto sobre “Conscicentização”.
“Ok. Oque você fez?” – perguntou o Jeff.
“Continuamos trabalhando naquele projeto.”
“Kiyo, oque você fez? Desenho? Pintura?...” – perguntei.
“Eu fiz o meu projeto: ‘Lives Wasted’” – respondeu o menino enignmático.
“Kiyo, OQUE você fez? Desenho, pintura, aquarela… que tipo de arte você fez?” – Jeff voltou a perguntar.
““O meu projeto: ‘Lives Wasted’”
“Você usou oque? Impressão de bunda???” – brincou o papai.
“AAAAAAAHHHHHHH…. Olha só… eu estou com um cabelo branco por sua causa, papai!!! Fica aí me estressando!”
“Ok, Kiyo… que material você usou? Grafite, tinta? Era desenho ou pintura ou escultura???”
“Era desenho a lapis…” – Finalmente respondeu o menino de cabelo branco por causa dos pais que perguntam demais.
FIM.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Note to self

Kiyo vai muito bem na escola, mas as vezes precisa de uns lembretes para nao esquecer de fazer alguma atividade importante.
Todos os dias ele envia recadinhos para si proprio, como lembrete para nao esquecer.
"Dear myself, please do your homework. It is due Monday!"
E assim vamos... cada vez menos eu preciso servir de agenda desse menininho independente cuja frase do email eh:
"Sempre seja voce mesmo. A nao ser que voce possa ser o Batman!"
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Volta a Escola: depois de 2 anos!


Kiyo voltou pra escola. Depois de 2 anos em processo de ensino domiciliar, resolvemos matriculá-lo na escola novamente. Resolvemos que seria uma boa hora de reinserí-lo em ensino escolar junto com a nossa mudança de estado, de casa, de realidade... Tudo novo!
Muito antes de mudarmos para a California, fizemos uma busca bem séria por escolas que se adequavam ao nosso modo de pensar a educação do Kiyo. Encontramos em Sacramento uma escola que prometia fazer aquilo que nós gostaríamos de fazer: permitir que a criança desenvolvesse suas habilidades acadê
micas de forma individual e personalizada. Entramos em contato com a diretora pelo menos 1 ano antes de termos nossa data de partida da Florida. Os depoimentos que ouvimos de pais e alunos, e a forma “easy-going” com que a diretora respondeu nossas dúvidas nos deixou muito esperançosos. E, pra completar: a escola tinha uma permissão para subir em árvores!

Visitamos Sacramento pela primeira vez no início de Agosto, um mês depois de mudarmos para California. Marcamos uma reunião com a diretora. Apesar de estarem em férias de verão, a escola estava oferecendo “colônia de férias”, então pudemos conhecer a escola na qual tínhamos tantas expectativas.
Chegamos na escola, e eu fiquei meio desapontada. Não era exatamente o que eu esperava encontrar: entre duas auto-estradas e dentro de um complexo de escritórios não me pareceu muito convidativo para uma escola. No entanto minha reação inicial se dissolveu rapidamente ao encontrarmos com a diretora da escola: Mrs. B.
Uma pessoa pequena em estatura, mas enorme de espírito e garra. Dava pra ver pela forma como ela apresentava a escola pra gente. “Essa escola é pequena, mas é super!” foi oque ela disse, explicando a razão pela qual o número de alunos na escola era tão baixo: 15 alunos na escola inteira! Menos que isso, só homeschooling mesmo! Ficamos impressionados com a proposta da escola e a forma como ela coordenava tudo: currículo praticamente personalizado e estímulo para seguir em frente. A escola é “oficialmente” para alunos de sexta-série ao terceiro ano do ensino médio (6-12). No entanto, a proposta de ensino personalizado/individualizado permite alunos que – mesmo mais novos de idade – se encontram avançados academicamente participem. Na escola, o foco não é “em que série a criança está”, mas “se ela tem domínio do conteúdo antes de avançar”. Tudo isso casou bem com os nossos objetivos para o Kiyo.
Mudamos pra Sacramento em meados de Setembro. Confirmamos com a escola que Kiyo iniciaria em Outubro. Fizemos uma permuta de aulas/serviços por mensalidade, acertamos o que precisava ser acertado. E em Outubro, Kiyo iniciou seu retorno a escola. Entrou na sexta-série aos 9 anos e meio. Era o “baby” da turma! E assumiu seu papel de “aluno mascote” desde o primeiro instante.


No início, tivemos que nos adaptar a nova rotina de lição e atividades. Uma das coisas que me deixa tranquila em relação a esta escola é a abertura que temos como pais de participar do ensino do Kiyo. Nunca fomos vetados, barrados, desencorajados de ter integral controle sobre oque ele aprendia. Sempre fomos ouvidos em nossas dúvidas e sugestoes. Nossa opinião não só é valorizada como exigida pela equipe de professores.

A escola, por ser pequena – agora com 21 alunos (mais ou menos), nos dá a sensação de ensino tribal/familiar, onde os pais se conhecem por nome e conhecem todos os alunos por nome também. Assim, quando algo acontece com um dos alunos, todas as famílias se unem para ajudar a resolver. Como da vez em que nosso carro teve o vidro traseiro quebrado por uma pedra e vimos na hora em que estávamos saindo para levar o Kiyo a escola. Eu fiquei desesperada, pois além de tudo somos responsáveis por abrir a escola pela manhã. Naquela situação, não poderíamos levar o Kiyo e tampouco abrir a escola. A diretora acionou as famílias, e uma das mães se colocou a disposição para buscar o Kiyo afim de que ele não perdesse a aula. Ou quando seus colegas (de 17 e 15 anos) o convidam para passear no parque aquático durante as férias de verão só porque gostam da companhia dele e estavam com saudades! Quando se fala em precisar de uma vila para se criar um filho, eu nunca imaginei que fosse encontrar uma vila tão eclética e tão única quanto a vila da Capital Innovations Academy.



Kiyo despontou academicamente, demonstrando habilidades que nem eu sabia que ele tinha. Iniciou o ano escrevendo textos curtos e simples. E terminou o ano com honras, escrevendo scripts de teatro de múltiplas páginas. Começou o ano conhecendo apenas alguns fatos históricos, e terminou sabendo não apenas narrar fatos importantes, mas sabendo analisar documentos históricos. Começou o ano sem saber como agir numa peça de teatro, e terminou o ano atuando em uma. Fez apresentações de grupo, participou de discussões de fatos atuais politicos. Tudo isso, com nosso apoio, mas sem que fizessemos por ele. Ao final de seu primeiro ano letivo pós-homeschooling, Kiyo se transformou em sua própria pessoa.





Recebemos seu boletim do segundo bimestre deste novo ano letivo (seu segundo nessa escola). Ele conquistou seu lugar no Gold Honor Roll (Honra ao Mérito nível ouro). E ao ler seus objetivos para a vida, não pude deixar de constar que estamos no caminho certo! No boletim, todos tem uma página de avaliação própria – um tipo de profile do aluno a partir do olhar do próprio aluno. Na porção onde ele deveria descrever seus objetivos para o ano, ele colocou um ponto de interrogação. E em seguida, onde ele deveria descrever seus objetivos para depois de sua formatura do “high school”, ele apenas colocou: “Eu te digo quando chegar lá, OK?”

Comemorar a Vida nao eh pecado!

Conversa entre amigos enquanto eu decorava a frente do apartamento para o Halloween:

Amigo: “Na minha casa a gente não comemora o Halloween.”

Kiyo: “Ué??? E porque não?”

Amigo: “Porque jeová não gosta que a gente comemore.”

Kiyo (sem pestanejar): “Mas quem é esse jeová??? Que cara mais mala! Porque não deixa???”

Amigo: “Porque é pecado!”

Kiyo: “Que pecado que nada!!! É apenas um dia que a gente sai fantasiado e pede doces nas casas. É divertido! Não tem nada de pecado! Eu hein!! Esse jeová não tá com nada! Muito ruim ele…”


FIM!

sábado, 18 de novembro de 2017

Quantas vezes você diz "eu te amo" para seu filho ou filha?



Kiyo está acostumado a ouvir isso de mim. Nunca deixei de dizer. Algumas vezes acho que ele responde “eu também” de forma automática, sem pensar muito, mas nunca disse a ele que o amo para que ouvisse uma resposta.
Desde pequena, eu assumia que meu pai me amava. Era como se eu soubesse sem ter ouvido isso diretamente dele. Ele é meu pai, e como tal deve me amar, certo? Nunca entendi essa coisa de amor condicional. Para mim, amor de pai e mãe – filho e filha sempre foi algo incondicional e para sempre. Então, apesar de não lembrar quando eu ouvi “eu te amo” do meu pai, suas atitudes sempre me mostraram isso. Seu cuidado me mostrou isso por todos esses anos.
Um dia, perguntei a ele: “Kiyo, como você sabe que eu o amo?” E ele, sem piscar, respondeu: “Porque você me diz isso todos os dias.”
Foi nesse momento que eu lembrei do meu pai, que não precisava me dizer isso todos os dias, e pensei… será que minhas atitudes seriam suficientes para mostrar ao Kiyo que eu o amo incondicionalmente? Que ele não precisa fazer nada para ter esse amor? Será que eu preciso dizer “eu te amo” todos os dias?
Não sei. Nunca consegui não dizer “eu te amo”. Sai automaticamente.
Não precisamos dizer “eu te amo” para que nossos filhos saibam do nosso amor. Existem pessoas que dizem “eu te amo” constantemente, mas suas atitudes digam o oposto. Fazem isso “da boca pra fora”. Mas eu continuo dizendo, e continuo agindo. Espero que ele encontre sua forma de demonstrar seu amor ao próximo. Espero que ele saiba agir para que seu sentimento seja visto com sinceridade.
No mais, eu me conforto na certeza que ouvi em sua resposta: “Lógico que eu sei que você me ama, mamãe! Você me diz isso todos os dias, várias vezes por dia!”

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Menino-Esquilo




Kiyo sempre gostou de catar pedrinhas, florzinhas, galhos e folhas em nossas caminhadas. Numa viagem que fizemos ao Oeste dos EUA (Colorado-Utah-Novo Mexico), tivemos que colocar um limite na quantidade de pedras que ele poderia trazer. Nosso carro já estava “arriado” de tanto peso.

É isso que dá ser filho de bióloga. Ele AMA catar coisas para olhar depois, ou simplesmente para colecionar. Ele tem uma coleção ampla de pedras, com exemplos de pedras igneas, metamórficas e sedimentárias. Ele tem coleção de ossos de bichos que encontrou por aí. Ele tem coleção de sementes, galhos e folhas secas também. 

Então… eis que estava eu colocando as roupas da viagem para lavar, quando senti que a calça jeans do Kiyo estava excessivamente pesada. Inspecionei os bolsos, achando que poderia ter uma pedra ou um brinquedo. E me surpreendi com a quantidade de “acorn” (bolota? – um tipo de noz comuns aqui).



Imediatamente lembrei dos esquilos que guardam comida para passarem o inverno. Lembrei do Scrat do filme A Era do Gelo. E quase morri de rir com meu “Menino-Esquilo” se preparando para o inverno floridiano!



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ironman Gloves ou Colcha feita a mão: Gratidão e sinceridade não são mutualmente excludentes



Kiyo recebeu um pacote da tia, enviado pelo correio: uma caixa endereçada a ele! Ele se sentiu todo importante (mais do que já é). 
Enquanto abríamos a caixa, ele juntou suas mãozinhas, fechou os olhinhos e começou a pedir em voz alta (prece mode on). 
“Please be the Ironman gloves! Please be the Ironman gloves!” (“Tomara que sejam as luva do Ironman… Tomara que sejam as luvas do Ironman!”). 
Quando abrimos finalmente a caixa, ele viu que era uma colcha feita a mão com todo amor pela tia Bugu. Ficou desapontado logo que abriu o pacote, afinal queria mesmo eram as luvas do Ironman.
Depois ele curtiu bastante a colcha sim, mas - todo pacote que chega pelo correio - ele ainda espera que sejam suas luvas do Ironman!

Essa reação dele não foi repreendida, Ele não levou bronca por expressar algo que desejava. Crianças são assim mesmo… expressam suas vontades e seus gostos de forma espontânea até que aprendem que isso é “socialmente inaceitável”.

Kiyo, com seus 8 anos, sabe bem o que ser grato quando alguém o presenteia. Ele, no entanto, não esconde aquilo que ele realmente deseja. Ele agradece, mas não tem vergonha de dizer que realmente queria ou esperava algo diferente. Espero que ele não perca essa característica tão pura e rara quando ele se tornar adulto.